segunda-feira, 19 de julho de 2010
A distância e o tempo.
Eu era tão feliz, e eu sabia. Eu sabia que eu me divertia sem sair de casa, eu sabia que eu acordava já pensando na madrugada que eu passava no computador. Eu amava fazer isso, e na época da minha vida em que eu não gostava tanto assim de sair, eu me divertia dentro de casa. Eu fiz amizades verdadeiras, eu fiz amizades indispensáveis pra mim, e eu me apeguei a elas. Eu me apego a tudo, tudo mesmo, e foi assim que eu me apeguei às minhas amizades. Criei uma rotina, nascida de gostos em comum, separadas por uma distância de alguns quilômetros, que não faziam a menor diferença porque a minha consideração por tudo aquilo eliminava qualquer distância. Eu me divertia tanto que fiz de refém o meu computador. Mas eu nasci pra pagar muitas dívidas de outra vida (eu tenho certeza disso) então me foi tirado o que era tão especial pra mim. Eu fiquei sem meio de comunicação, eu fui obrigada a me afastar de tudo, então a distância se fez presente. A distância e o tempo. E hoje eu vejo que perdi muito do que eu tinha conseguido naquela época, eu vejo que me afastei de quem eu nunca quis me afastar, mas é inevitável. Eu fico triste de lembrar de tudo, de como era legal e de como não é mais como era antes. Mas tudo bem, assim como sei me apegar, sei ser esperançosa e tenho certeza de que um dia pago tudo que eu devo da outra vida e reconstruo tudo de novo, porque sou brasileira e não desisto nunca.